Um filme lindo, sensível, despretensioso e delicado. Assim eu defino "Onde vivem os monstros". Aos meus olhos, o filme poderia perfeitamente estar retratando um processo terapêutico, onde o menino, através do contato com seus monstros, vai conhecendo e enfrentando partes de si próprio que ele desconhecia e que não compreendia, apenas sentia e precisava extravasar.Eu estou em plena aventura com os meus próprios monstros, tentando me aproximar deles, ser deles a melhor amiga, a confidente. Tentar entender o que posso fazer por eles. Porque eu preciso deles. Eles estão dentro de mim para que eu não esqueça que existe a raiva, a inveja, a saudade, a tristeza e a solidão. Não podemos fingir que somos alegres o tempo todo porque não somos. Não podemos estar sempre cercados de pessoas para não enxergar que no fundo temos que aprender a lidar com nossa solidão.
Eu, que tinha medo do escuro quando pequena aprendi, lá atrás, que foi justamente ao encarar o medo e olhar atrás da cortina, olhar embaixo da cama e deixar meus pais apagarem as luzes, que finalmente pude dormir em paz com meus monstros. Agora, eu sei bem, eles já são outros. Maiores, assim como eu. Mas ainda assim, estou conseguindo apagar as luzes quando é preciso.
"Happiness isn't always the best way to be happy."



