segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Você sabe onde vivem os seus monstros?

Um filme lindo, sensível, despretensioso e delicado. Assim eu defino "Onde vivem os monstros". Aos meus olhos, o filme poderia perfeitamente estar retratando um processo terapêutico, onde o menino, através do contato com seus monstros, vai conhecendo e enfrentando partes de si próprio que ele desconhecia e que não compreendia, apenas sentia e precisava extravasar.

Eu estou em plena aventura com os meus próprios monstros, tentando me aproximar deles, ser deles a melhor amiga, a confidente. Tentar entender o que posso fazer por eles. Porque eu preciso deles. Eles estão dentro de mim para que eu não esqueça que existe a raiva, a inveja, a saudade, a tristeza e a solidão. Não podemos fingir que somos alegres o tempo todo porque não somos. Não podemos estar sempre cercados de pessoas para não enxergar que no fundo temos que aprender a lidar com nossa solidão.

Eu, que tinha medo do escuro quando pequena aprendi, lá atrás, que foi justamente ao encarar o medo e olhar atrás da cortina, olhar embaixo da cama e deixar meus pais apagarem as luzes, que finalmente pude dormir em paz com meus monstros. Agora, eu sei bem, eles já são outros. Maiores, assim como eu. Mas ainda assim, estou conseguindo apagar as luzes quando é preciso.

"Happiness isn't always the best way to be happy."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sempre


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cena II

"Porque os abismos não se cansam de mim. E eu, que sempre corri para buscar refúgio em teus braços, percebi que não eras tu quem me deixava escapar. Eu é quem sempre fui escorregadia"

Cena I

"Estás vendo essas escoriações em minhas mãos? São dos golpes que eu te dei e tu nunca soube. Quem sangra nem sempre é quem apanha. Eu venho derretendo dúvidas e anseios por medo de perder o controle e deixo de lutar contra o que realmente deveria. Estou farta de palavras engasgadas e de interpretações precipitadas. Cansei dos meus auto-abandonos e dos afastamentos voluntários que sempre provoquei. Eu nunca entendi por que o silêncio gosta tanto de falar comigo. Mesmo eu sendo sempre surda a ele. Mas não mais o serei. Acho que devo estar aprendendo a viver."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sejamos

E repentinamente descobrimos que podemos ser melhores do que imaginávamos. Que podemos suspender-nos por um fio, quando estamos prestes a desabar, e dar um passo atrás. E que voltar atrás pode muitas vezes ser o progresso. Não há erro que não possa ser consertado. Mas não é voltando atrás e o corrigindo, pois não há volta, não há retrocesso. Pode-se corrigir um erro ao mudar. Ao ser novo a si mesmo. Ao surpreender-se. E descobre-se, então, que as pessoas sempre estiveram ali, e que o respeito que sempre desejávamos era um respeito próprio. Um elogio a si que nunca foi devidamente oferecido. Esperamos muito pouco de nós mesmos. Porque muitas vezes somos mesmo quase nada. Mas existem vezes, algumas vezes, com algumas pessoas, com algumas atitudes, que podemos ser tudo. Então sejamos.

Porque a vida é bem mais divertida em parceria...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Será que estamos mesmo vivos?

e então ela se foi. acabo de saber que ontem, as 23horas, enquanto eu assistia a um show de música, onde o cantor perguntava à platéia enlouquecida: "Vocês estão vivos?" ela não estava mais. não sei explicar o meu sentimento nesse momento. faz tempo que eu aprendi (?) a lidar com isso e que não me sinto mais culpada quando estou na rua, vivendo, me divertindo, fazendo algo de bom e sorrindo quando alguem está em uma cama de hospital lutando pela vida e dividindo comigo suas angústias. Eu carrego as angústias comigo mas elas não podem ser as minhas, caso contrário eu não conseguiria viver. e daí eu entendo porque há poucos minutos eu escrevi o post "não sei, tô cansada". Porque eu me canso da provisoriedade da vida, porque eu me canso das coisas inexplicáveis, porque eu me canso de não ter as respostas, porque eu me canso de lembrar todos os dias que somos mortais, que somos seres onipotentes que julgamos ter controle sobre nossas vidas quando não controlamos nem mesmo nossos próprios corpos. eu me canso dessa roda viva não parar nunca. eu me canso pelo fato da minha mente não parar nunca, pelo fato de eu ter consciência das coisas, pelo fato de eu saber que não sei tanta coisa, pelo fato de eu saber que vou morrer e sempre vou ter deixado alguma coisa para trás. eu sei por que eu tô cansada. eu to cansada porque a vida é assim implacável. e porque ainda assim eu não desisto e faço de tudo para que os outros não desistam. E ainda assim, essa vida é assim finita e pueril e eu sempre agradeço por estar respirando. que ela vá em paz e que tenha encontrado alguma resposta para tudo isso. e que eu me absolva da minha limitada compreensão, da minha covardia frente aos meus medos tão bobos, porque o maior desafio de todos é simplesmente começar um dia e acabá-lo bem.