sábado, 7 de novembro de 2009

Simplesmente ela

Simplesmente ela é quem me fez acordar as 7 da manhã, com olhos atentos, mesmo com um resto de sono, mas sem vontade de estar mais adormecida. Uma vontade de despertar, uma vontade de ser mais e por mais tempo.

Não posso descrever o que senti após apenas 1 hora e 15 minutos de Clarice Lispector na veia. Ela estava ali, personificada por Beth Goulart, brilhante, diante dos olhos da platéia; nua, exposta, brincando conosco, nos mostrando o que a escrita significava para ela, mostrando como tentava ensinar às suas personagens como viver mais, como ver o sublime em qualquer folha, em qualquer coisa. Ensinou que o horror está mais dentro de nós do que sempre suspeitamos, e que é sempre no ordinário que a verdade se mostra a nós. Ela dizia que não escrevia por notoriedade. Que escrever era uma necessidade básica como beber água, como comer e que nunca quis notoriedade através de sua escrita.

Me senti pequena. Me senti desafiada, me senti com vontade. Mas quem sou eu para querer ser alguém? Mas quem sou eu que também quer ser ou por vezes se julga ser escritora depois de ouvir e ler Clarice? Como ela conseguia escolher tão bem palavras doces e fortes, suaves e profundas e ao mesmo tempo ser tão simples, tão direta, tão visceral?

Eu não sou Clarice. Eu sou Luciane. Eu não sei se sou escritora e às vezes perceber que o blog é um espaço de vaidade sim, de notoriedade sim, me envergonha. Ao mesmo tempo, é esse espaço aqui que me fez escrever mais, é isso aqui que me fez querer sentar ao computador as 7 da manhã de um sábado e falar sobre tudo o que assisti e não assisti. Pensei ontem em como seria se Clarice vivesse nos dias de hoje. Será que ela teria um blog? O que pensaria disso?

Eu não consigo ter tudo registrado na minha mente. Todo o texto. Queria guardar tudo num gravador mental para poder ouvir de novo e de novo. Ela ensina a viver, ensina a não ser simples na vida, ensina a gente aceitar e querer o não-ser, o não-saber. Isso alivia mas também provoca, inquieta. E ontem eu senti uma sensação que poucas vezes já senti: momentos de tamanha beleza, de um texto tão sublime, que as lágrimas chegavam com uma felicidade e uma tristeza nas mesmas proporções e as lágrimas também davam uma vontade incontrolável de rir, não sei se de nervosa, não sei se isso ocorre quando a gente finalmente se enxerga em algo ou em alguém. Uma tensão. Uma paixão. Um tristeza profunda e uma alegria imensa ao mesmo tempo.

Isso é tudo que eu consigo dizer por enquanto. Eu quero mais Clarice na minha vida. Eu quero ainda mais poesia, ainda mais música, ainda mais arte na minha vida. Quero ainda mais complexidade na minha vida. Sim, sim, eu quero ser complexa, quero ser sinuosa; não quero ser óbvia, não quero ser estável, não quero ser simples. E quero equilibristas como eu por perto. Quero quem possa encarar os abismos da vida comigo, para que então possamos cair na gargalhada, porque vamos descobrir que na verdade é o abismo quem nos olha.

E seguir pela vida, escrevendo, amando e sendo boba.
Simplesmente eu.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tarja preta

Endovenoso quando
escorregar por minhas vias,
invadir meus órgãos,
irrigando todas as bordas
e superfícies internas.

Subcutâneo quando agir,
bordeando minha camada exterior,
sondando de perto a minha derme,
Me enxergando inteira por dentro,
drenando quem eu tento ser.

Oral quando eu o engolir e
for ele quem me devore, me sorva.
Percorrendo minha garganta e
indo direto ao meu estômago
Ora minha náusea, ora meu conforto.

Que seja essa a minha droga, meu remédio.
Que eu conheça toda sua posologia,
As contra-indicações,
E a dose que possa ser fatal.

Não quero mais bulas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Limites

Agora chega, ela disse. Não, ela não disse. Ela cuspiu essas palavras só depois de terem sido ditas por ele. A originalidade nunca fora seu forte. Não havia mais nada a ser tentado porque não havia mais dor que coubesse no peito.

Ela seguiu: Preciso aprender a impor fronteiras para saber até onde vou e ate onde tu chegou em mim. Não quero, mas preciso. Não posso, mas devo. Me ajuda. Se minha pele falasse agora ela iria gritar, iria pedir que tu a domasse, que tu a perdoasse, ela iria dizer que eu me perdoei, que perdi todos os pelos do meu corpo queimados pelas minhas chamas que te arderam tanto tambem. Agora estou cansada. Só preciso dormir um pouco.

Não existe tempo, não existem anos, nem dias. Existe, sim, uma eternidadade que recai sobre minhas costas. A eternidade do que eu nunca havia aprendido antes. A eternidade de tudo o que não seja tarde. Tudo que não tarde.

E assim se foram, até o próximo nunca mais.

LÍMITES
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí la sed,hasta aquí el agua?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el aire, hasta aquí el fuego?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el amor,hasta aquí el odio?
¿Quién dijo alguna vez: hasta aquí el hombre, hasta aquí no?
Sólo la esperanza tiene las rodillas nítidas. Sangran.
Juan Gelman

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pobre Narciso

O grande golpe foi quando descobriu que era ele quem estava preso dentro das águas do rio. Apenas uma imagem encapsulada, refém da estiagem que não tardaria em chegar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Drive with your mind

Feriado com direito à praia mas, consequentemente, algumas horas de estrada e mais consequentemente ainda, algumas oportunidades de reflexão.

Enquanto dirigia e ultrapassava, comecei a perceber o quanto nossa vida e forma de viver podem ser relacionadas a uma viagem dessa natureza. Claro, viagem nas estradas brasileiras, porque se fôssemos falar das auto-bans européias a vida seria bem mais fácil...mas muito mais rápida.

A cada ultrapassagem que eu fazia ficava aliviada pensando: "Ufa, ultrapassei esse caminhão lento, agora foi". Alguns metros adiante, outro caminhão e vários outros carros que, como eu, queriam chegar o quanto antes ao destino. Então, cada ultrapassagem é um esforço e tem que ser curtida, tem que ser um esforço, mas não adianta vibrar muito porque logo ali em seguida haverá outros, e o caminho nunca estará completamente livre para que aceleremos na velocidade que gostaríamos. E não é assim na vida também? Cada desafio ou cada problema que enfrentamos pensamos: "Quando isso passar, daí sim tudo vai ficar bem, daí sim vai dar certo, daí sim chego onde eu imaginei". Mas então outro caminhão aparece e temos todo o esforço de novo. Mas dirigir na estrada não é uma delícia? Quando a estrada está muito vazia, muito reta e muito igual não dá um sono? Pois é. Se na vida também não tivéssemos nossos caminhões iríamos dormir mais cedo. A adrenalina da ultrapassagem é que nos mantem vivos.

E aí, quando já no meu destino, conversando com a minha mãe sobre a vida e coisa e tal falavamos sobre o tempo e as oportunidades, quando ela diz: "e a vida passa tão rápido, e é só uma". Apesar de ser uma colocação das mais óbvias, dessa vez ela ficou retumbando na minha cabeça. E logo me veio a palavra que tem a ver com meus devaneios rodoviários: Velocidade.

Qual é a velocidade certa de uma vida? Daí pensei que na fase de vida que eu me encontro eu quero começar a ver as coisas acontecerem mais rápido. Quero crescer profissionalmente, emocionalmente, afetivamente, construir uma família, poder conquistar tantas coisas que eu sonho...e a medida que os anos passam vamos tendo mais pressa. Mas o que mais vou tendo certeza é que quanto mais pressa temos menos conseguimos isso. Mas não dá para ficar parado também! Então, qual é a velocidade certa?

Por enquanto eu ainda não sei. Na estrada temos pardais, controles de velocidade, limites. Na vida, não temos como medir essa velocidade, mas somos, e muito, multados por nossas infrações. Só sei que é preciso continuar com o motor rodando e que, assim como na estrada, muitas vezes a pressa pode ser fatal.

Sigo em viagem.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

ENTER



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

The little things...there's nothing bigger, is there?


WAKING LIFE
* Dream is destiny.

* The worst mistake that you can make is to think you're alive when really you're asleep in life's waiting room.

* The ongoing WOW is happening right NOW.

* The idea is to remain in a state of constant departure while always arriving.

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS
* I'm just a fucked up girl looking for my own piece of mind, I'm not perfect.

* I could die right now, Clem. I'm just... happy. I've never felt that before. I'm just exactly where I want to be.

* McRomance. Want some fries with that shake?

ADAPTAÇÃO
* What I came to understand is that change is not a choice. Not for a species of plant, and not for me.

MAGNOLIA
* "We may be through with the past, but the past ain't through with us."

* In this life, it's not what you hope for, it's not what you deserve - it's what you take!

* I'll tell you everything, and you tell me everything, and maybe we can get through all the piss and shit and lies that kill other people.

BONECAS RUSSAS
* Mr. Everyman is seldom met in... everyday life.

* If I were you I would call me.

VANILLA SKY
* Do you remember what you told me once? That every passing minute is a another chance to turn it all around.

* Relax, David. Open your eyes.

* Just remember, the sweet is never as sweet without the sour, and I know the sour.

* It's been a brilliant journey of self-awakening. And now you've simply got to ask yourself this: * What is happiness to you, David?

* The little things... there's nothing bigger, is there?